quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Um bocadinho de mim...

Boa tarde Sr. Padre. Custa-me sempre tratá-lo assim e não consigo fazê-lo sem um sorriso na cara. Um dos homens mais perfeitos que conheci. Conheço-o desde os meus 16 anos... tinha ele 26. Na altura eu era apenas uma miúda e ele um seminarista que vinha ajudar de vez em quando na minha paróquia. Era daqueles homens que fazia qualquer rapariga suspirar. Lembro-me de ouvir falar que ele tinha sido ordenado e de pensar no desperdício que era um homem daqueles ser padre. Encontravamo-nos ocasionalmente 1 ou 2 vezes por ano. Sempre com a sua simpatia característica e aquele sorriso que de certeza arrebatava corações, mas ele agia indiferente como se não percebesse a sensação que a sua beleza causava aos corações femininos. E o meu não era excepção. Ficava sempre com um nervoso miudinho cada vez que o via ou ouvia falar dele. Mas não me atrevia a pensar mais além disso. Quando comecei a trabalhar quis o destino (ou terá sido Deus?) que tivesse que contactar regularmente com ele. Timidamente fomo-nos aproximando e quando percebi estava completamente apaixonada. Passava os dias a pensar nele e a desejar chegar a próxima reunião só para poder ver aquele sorriso novamente. Depois acordava M.M. o homem é padre! E lá continuava o sofrimento. Tentei perceber o que ele sentia, mas não sabia se aquilo eram mesmo sinais ou apenas a simpatia de um homem dedicado ao seu trabalho. Eram sinais. Envolvemo-nos. Durou um ano, dois meses e 13 dias. Durante o tempo em que tivemos juntos era um misto de sentimentos... paixão, uma paixão avassaladora com sabor a proibido, culpa quando ele era o padre e eu a acólita, vergonha quando o encontrava noutro contexto... foi um óptimo namorado (se é que lhe posso chamar isto!), sempre atencioso, nunca me deixava à espera de uma chamada nem uma mensagem nem de uma resposta... mas a situação tornou-se insustentável... era difícil manter os contactos e já não conseguiamos estar muito tempo longe um do outro... o medo de sermos vistos por alguém mesmo que noutra cidade ou no sitio mais improvável. Nunca esteve em causa ele abandonar a vocação... nunca me iria perdoar se passados um, dois ou dez anos terminássemos... a minha vida voltaria à normalidade mas a dele jamais... jamais poderia recuperar o que perdeu... sei que queria estar comigo, mas ao mesmo tempo era o melhor padre que eu alguma vez conheci... apaixonado pelo que fazia, empenhado na sua paróquia, que demonstrava resultados, era o rosto de uma igreja moderna, tal como ela deveria ser. E eu não queria competir com Deus.
Deixámos de nos ver. Fizemos o luto. Ficamos grandes amigos. Sempre que preciso de um conselho é a ele que ligo, seja de que natureza for. Sempre que me liga sei que precisa de um conselho, de um copo, de um ombro amigo. Poucas pessoas entendem esta amizade. Nenhuma entenderia se a soubesse realmente. Agora voltámos a encontrar-nos por motivos de trabalho. Boa tarde Sr. Padre e um sorriso cúmplice.

7 comentários:

Mia disse...

Depois de ler so posso dizer que achei linda a vossa "historia". =D

M.M. disse...

Obrigada :)
Hoje somos grandes amigos (o melhor que se pode ter!) e já consigo estar ao pé dele sem ficar nervosa! :)

Ana FVP disse...

Essa história dava um romance...

Didá disse...

Sempre pensei que essas histórias só aconteciam nos filmes ...

M.M. disse...

Acontece mais vezes do que imaginamos... são homens que também têm sentimentos e efectivamente também se apaixonam, mas quando o amor àquilo que fazem é grande raramente têm coragem de o dizer e demonstrar :)

Happy Brunette disse...

Marota! =)
É uma história fantástica e como dizes se tivesse sido diferente nunca te irias perdoar...

M.M. disse...

Sim e foi por nos termos respeitado sempre apesar da situação dificil que hoje conseguimos ser grandes amigos (sem segundas intenções!) ;)