quarta-feira, 31 de agosto de 2011

A vida tem que continuar...

Conheci-o por mero acaso há mais de 15 anos. Rapidamente me apercebi que estava perante um grande homem, uma alma limpa, aquilo a que João Paulo II chamaria de santos de calças de ganga.
A sua paixão pela vida, a sua disponibilidade total, a entrega aos outros faziam-me admirá-lo a cada palavra, a cada gesto...
Foi para o Perú por um ano e ficou lá 10. Missionário. Sempre atento aos problemas dos outros, deixando a sua vida pessoal para cuidar da vida dos outros. Seguiu-se a República Dominicana. Foi nessa altura que o conheci. Regressado dessa viagem. Cheio de projectos e âmbições. Não tinha medo de ir para o terreno. Vivia nas mesmas condições dos povos que ajudava. Criava projectos que passados um ou dois anos se auto-sustentavam para depois partir para outro país e para novos projectos. Nunca ficava em Portugal mais que um mês seguido. Regressava a casa no Natal e na Páscoa para visitar a mãe. Visitava-me sempre a mim também. Levava dossiers e dossiers com a evolução dos projectos. Sempre que podia me dava notícias através do mail. Sempre que recebia fotos e via a miséria em que ele vivia ficava com o coração nas mãos, mas ao mesmo tempo orgulhosa por ter um amigo como ele. Quando houve a tragédia no Haiti ligou-me. Ia para o Haiti ajudar as pessoas que sobreviveram. Não havia maneira de o impedir (nem tentei... sabia que era isso que o fazia feliz! Ajudar os outros). Às vezes dizia-lhe No proximo projecto vou contigo! Mas nunca fui. Sempre que me visitava tentava-me convencer, mas nunca se proporcionou. Seguiu-se o Gahna e novamente o Haiti. Tu não tens noção. A ajuda não chegou às pessoas que necessitam dizia ele revoltado. Criava projectos e nós sabiamos que o dinheiro que mandavamos ia realmente ajudar as pessoas enquanto ele lá estivesse. Mandava constantemente fotos para que comprovassemos os avanços obtidos com o dinheiro que enviavamos!
Estava desde o início do mês na Guiné. Ele que não tinha medo de ir para o terreno, de ajudar os outros. Sempre mais e mais. Nunca negava ajuda, independentemente da sua natureza. Não voltou. O corpo chega amanhã a Portugal.
A minha vida nunca mais será a mesma sem ti! Sem o teu entusiasmo. A última vez que nos vimos foi nas celebrações da Páscoa. Meio à pressa porque tinhas a mãe à tua espera. Matar saudades. Sei que tenho mais uma estrela no céu, mas isso não me conforta.

6 comentários:

JoanaGL disse...

:'(

Nada justo! Custa mt :(

Força ♥

Ana disse...

Oh :'( Tens que ter coragem... Um beijinho

M.M. disse...

Obrigada pelo vosso apoio.

Dina disse...

Lamento imenso. Tens que recordar os bons momentos, e fazer dele um exemplo a seguir. Acho que será uma boa homenagem ;)

Ana FVP disse...

Oh querida, este post deixou-me sem palavras e com um aperto no estômago. Toda a força do mundo para ultrapassares este mau período.

Mia disse...

Um grande beijinho de força***